Olhando rapidamente elas parecem complexas e trabalhosas de se montar. Ok, são sim. Mas elas não são tão complicadas quanto parecem. Na verdade, eu tendo a deixar tudo bem separado para ficar fácil de alterar mais tarde, caso necessite.
Vou utilizar nosso último vídeo como exemplo de uma manipulação musical que fizemos. Vou focar especificamente na parte do ÁUDIO da timeline, onde parece que existe uma grande confusão de clipes, mas na verdade estão bem separados de acordo com as nossas necessidades.
No nosso caso, vocês podem observar que colocamos as faixas de diálogo nos tracks 1 e 2, efeitos sonoros nos tracks 3 e 4 e músicas nos tracks 5 e 6. É fundamental ter pelo menos duas pistas para música porque assim posso fazer transições mais sutis entre músicas e climas do vídeo.
E essa timeline reflete o meu estilo de edição de montar o CLÍMAX com a música em alguns momentos da edição e fazer suas transições sutis, como se a trilha fosse composta exclusivamente para o seu vídeo.
E é isso que eu quero recomendar aqui, que o editor MONTE suas trilhas sonoras de acordo com o ritmo do filme e evite de deixar suas músicas retas sem se relacionarem diretamente com as imagens, como grande parte das pessoas fazem:
A primeira coisa que devemos fazer é buscar uma música que tenha o CLIMA da emoção que você quer despertar no momento da edição, seja empolgação, tensão, drama, comédia leve, ironia… E isso vale para qualquer estilo musical, a intenção emocional da música tende a falar mais alto. Eu costumo levar muito tempo até achar a trilha perfeita para uma cena. Eu sempre imagino assim: se essa cena fizesse parte de um filme e um compositor fizesse uma trilha exclusiva, como seria essa música? Com isso em mente eu procuro a trilha que mais se aproxime do que imaginei. O humor que a trilha precisa transmitir.
Depois de escolher a música, eu imediatamente procuro um momento de destaque como a entrada de um refrão ou uma mudança que represente um AUGE da música e tento fazer o sync deste momento com a cena de maior destaque do segmento do vídeo em questão.
Depois disso eu vou construindo a trilha de trás pra frente. Provavelmente farei algumas adaptações para que ela caiba certinho na edição. Ou tirando o volume durante uma inserção e voltando com ela no ponto que eu preciso:
Ou então tirando partes inteiras para deixála maior ou menor, além de alguns ajustes no ritmo do vídeo para tudo parecer uma coisa só.
A minha maior preocupação em fazer esses recortes é justamente deixar as transições musicais mais naturais possíveis. Como um bom DJ que vai trocando as músicas e ninguém repara que estão mudando a não ser que seja intenção dele.
E só conseguimos essa sutileza se respeitarmos o ritmo das músicas. Mais precisamente, respeitarmos o compasso musical. Se uma música é recortada no ritmo errado, isso vai chamar a atenção mesmo que de forma inconsciente passando a ideia de que algo está errado. E isso tira a imersão do espectador. Por isso eu gasto tanto tempo montando minhas trilhas, para que as músicas e suas transições pareçam naturais naquele vídeo.
Faço isso especialmente no final do segmento, para que ele acabe junto com a música. Assim eu construo aquela sensação de que a música ter sido composta para este vídeo. E ao final desse processo inteiro a sua timeline ficará mais parecida com essa que iniciou o post.
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